
Muitos atribuem ao Horário Eleitoral Gratuito a característica de uma chatice sem fim. E põe muitos nisso. Há aqueles mais radicais que passam todos os canais da televisão na expectativa de que algum canal tenha se desobrigado da obrigatoriedade em veicular.
Mas, no fim não tem jeito. A grande maioria acaba deixando a televisão ligada quando começa o desfile dos candidatos na passarela das promessas. É um tal de proposta daqui e tapinha nas costas dali que se torna uma enorme mesmice. A única coisa que muda são as peculiaridades, que chegam a se tornar até mesmo cômicas. E em todo lugar é assim, sem nenhuma exceção.
Entre os que utilizam uma parte do corpo como apelido ou os que adotam o fato de serem magros ou gordos, destacam-se aqueles que se denominam pela profissão. É um mostruário de “João Coveiro”, “Marcão Frentista”, “Zé da Kombi-que-leva-seu-filho-para-a-escola”, entre outros. Isto causa uma identificação, mas só há um problema: e se houver uma candidata que exerça a profissão mais antiga da história? Como será sua alcunha?
Bom, é melhor mudar de assunto, pois há muito que falar. Que tal as músicas. Há aqueles que optam por um forró ao fundo, uns mais modernos pelo rap e outros que parodiam grandes sucessos já existentes. Sorte que nesta eleição utilizaram músicas de cantores ainda vivos. Imagine como se sentiria Tom Jobim ouvindo sua composição “Chega de Saudades” transformada em versos de pura criatividade e rimas como “de novo” e “povo”. Quase uma blasfêmia musical.
Assim, mesmo que em muitos casos pareça, o horário eleitoral não é uma palhaçada. Longe de ser um festival de “besteirol”, é uma arma da população. Sua importância é tamanha que, em períodos da ditadura, chegou a ser proibida sua veiculação. O necessário é se manter sério, pois, saiba que é ao abrir a boca para gargalhar que acabamos engolindo muita conversa fiada.
Parece até discurso político, né? Mas, neste você pode confiar.
